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Esta semana estou passando por uma crise de criatividade. A
razão é simples: não tive nenhuma idéia fantástica para escrever minha coluna.
Mas creio ter diagnosticado a origem do sintoma. É que depois de escrever alguns
artigos que tiveram boa repercussão, comecei achar que jamais iria conseguir
fazer aquilo outra vez. Ou que qualquer coisa que eu tente escrever, alguém já
escreveu.
Esse é um mal que atinge também alguns empresários que chegam à
porta da Internet e não entram. Esticam o pescoço, dão uma olhada e concluem que
jamais conseguirão criar, no mundo virtual, um negócio como o que já criaram no
mundo real. Ou então desistem porque vêem lá dentro concorrentes de peso fazendo
aquilo que planejavam fazer. Se você está se sentindo assim, nós temos algo em
comum. Você com sua crise empreendedora e eu, curtindo minha crise de
criatividade. Mas repare que nem por isso parei de escrever. E você não parou de
ler. Por que deveria?
Se o seu medo é de entrar na Web por achar difícil fazer o que já
conseguiu fora dela, fique certo de que realmente não conseguirá se não
trabalhar duro. Você se lembra do quanto precisou trabalhar para levantar sua
empresa até o patamar onde ela se encontra hoje? Não será diferente na Internet.
Mas o final pode ser mais feliz do que aquele que aguarda as empresas que
permanecerem à margem da revolução na economia. Lembre-se de que, apesar da
rapadura ser dura, ela é doce.
O outro receio seu pode ser de não conseguir enfrentar os gigantes
que estão fazendo sucesso no mundo virtual, talvez na mesma área que você
pretenda atuar. Também compartilho de seus receios quando escrevo um artigo. Tem
muita gente grande por aí escrevendo sobre a Web e não sirvo de páreo para eles.
Mas dizem que para alguém escrever bem é preciso possuir uma destas
características: dominar perfeitamente o assunto ou... ter muita cara-de-pau.
Você já deve ter adivinhado em que categoria eu me enquadro.
Portanto, nada de desânimo. Tenha em mente que o sucesso aparente
dos grandes pode não significar exatamente lucro. É o que acontece com a Amazon.com.
Apesar de ser um exemplo de sucesso, a livraria virtual até hoje não deu lucro.
Mas será que eles estão preocupados com isso e deixaram de investir na Web?
Não é o que parece. Além de terem entrado como sócios em outros
sites de e-commerce - uma farmácia online (http://www.drugstore.com) e um site
bom pra cachorro (http://www.pets.com) - a Amazon passou a vender também
brinquedos e equipamentos eletrônicos. Além, é claro, dos livros, vídeos e CDs.
E dos leilões.
Então você pergunta: Mas se os gigantes não estão ganhando dinheiro
na Web, quem sou eu para querer entrar nessa? E eu respondo com outra pergunta:
O que ELES estão fazendo na Web, e o que VOCÊ quer fazer na Web?
Li a história de um empresário aposentado que iniciou seu bem
sucedido negócio de fabricação de vidros para relógios após descobrir que seus
concorrentes, que dominavam o mercado, apresentavam uma mesma deficiência:
levavam semanas para entregar os pedidos. Além disso, fabricavam para todos os
tipos de relógio possíveis, aumentando consideravelmente seus custos de produção
e estoque.
Após descobrir o calcanhar de Aquiles dos gigantes, ele montou uma
fábrica de vidros para relógio que fabricava para apenas meia dúzia de modelos
mais vendidos, entregava em 24 horas e tinha preços mais competitivos. Logo sua
fábrica quase artesanal estava lucrando muito dentro da lacuna que os grandes
fabricantes não conseguiram preencher. Ele a vendeu por um bom dinheiro antes de
se aposentar.
Partindo do princípio de que a nova economia vai necessariamente
mesclar o mundo real com o virtual, a questão já não é SE você irá fazer
negócios online, mas COMO irá fazê-los. Quando você entrou no ramo que hoje
atua, o único mundo de negócios que existia era o real. Não havia outro e, a
menos que seu nome seja Thomas Edson e seu produto seja a primeira lâmpada, você
deve ter encontrado concorrentes às pencas. Mas nem por isso desistiu de entrar
no negócio, pois certamente tinha em mente um diferencial que lhe dava uma boa
vantagem em relação à concorrência.
Portanto, a receita você já conhece. Agora é partir para a ação e,
se for bem sucedido, não deixar de me avisar. Afinal, sua história pode ser o
tema de meu próximo artigo, já que ainda não pensei no que escrever.
Por: Mário Persona
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